Em Novembro de 2024, voltei a apresentar na conferência anual da American Society of Criminology, que ocorreu em São Francisco, na Califórnia. Mais uma vez, foi uma enorme felicidade por poder reencontrar-me com investigadores influentes na área da Criminologia e conhecer outros, estando presente numa série de apresentações e reuniões relevantes.
Destaco a
aula aberta no contexto do prémio David P. Farrington (Life-time achievement) pelo Dr. Brendan Welsh, a mesa redonda sobre COVID-19 e femícidio motivado pelo
número especial no Journal of Contemporary Criminal Justice e um painel com um conjunto de apresentações sobre prevenção do crime e impacto social, destacando a apresentação da Dr. Payne centrada na falha de implementação de intervenções eficazes nos serviços escolares para os alunos que mais delas precisam (por exemplo, alunos com problemas académicos e disciplinares), constantando a dificuldade de fazer chegar a evidência científica às escolas, em particular de forma a servir os alunos mais desfavorecidos.
Quanto às minhas apresentações, podes encontrá-las abaixo.
“Parentalidade antes do Nascimento”: Como os cuidados parentais no período pré-natal influenciam o neurodesenvolvimento – Uma experiência natural em contexto real (Apresentação oral rápida)
Sumário
Proposta de investigação quasi-experimental, que veio no contexto da preparação do meu exame de qualificação no programa de doutoramento.
Analisando dados do HANDS, um programa de visitas domiciliárias aplicado a nível de todo o Estado do Kentucky nos Estados Unidos propôs-se um estudo que compara as famílias que recebem o programa durante a gravidez e após o nascimento, com as famílias que recebem o programa apenas após o nascimento, quanto a variáveis do neurodesenvolvimento dos bebés, dada a sua importância para determinar percusos de vida de(in)sucesso.
Tal comparação permite perceber se a componente pré-natal do programa faria a diferença em termos de benefícios da intervenção.
A relação entre a violência doméstica e a mortalidade perinatal: uma análise de dados espaciais em Portugal (Poster)
Sumário
Mulheres que sofrem de violência no contexto de relações íntimas têm maior probabilidade de enfrentar gravidezes indesejadas ou perdas fetais (Bramhankar & Reshmi, 2021), complicações no parto (Avanigadda & Kulasekaran, 2021) e de ter bebés com baixo peso neonatal (Lin et al., 2022; Kpordoxah et al., 2024). Para mulheres em situação de risco, a própria gravidez pode aumentar a probabilidade de violência por parte do parceiro na relação (Girardi, 2023). Ao nível das comunidades, comunidades com menor eficácia coletiva — isto é, menor coesão social e capacidade de intervenção informal — apresentam taxas mais elevadas de violência e de baixo neonatal (e.g., Sampson, 2003).
A maioria dos estudos nesta área é retrospetiva e baseia-se em dados individuais. O presente estudo procurou analisar a relação entre violência doméstica e a saúde reprodutiva ao nível dos municípios, comparando dados de 2017 (T1) e 2018 (T2). Foram utilizados mapas e análises estatísticas espaciais para verificar se taxas mais elevadas de violência doméstica num ano estavam associadas a um aumento da mortalidade perinatal no ano seguinte, controlando por fatores importantes. Foram analisados dados de Portugal, incluindo 297 municípios. Observou-se uma associação espacial global entre a violência doméstica (T1) e as mortes perinatais (T2) [I = .09, p < .001]. Esta relação foi particularmente evidente nos municípios das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, onde taxas mais elevadas de violência doméstica em 2017 estiveram associados a mais mortes perinatais em 2018. No entanto, controlando pelas taxas anteriores de mortalidade perinatal e pelo nível socioeconómico (SES) de cada munícipio, a relação entre a taxa de crimes de violência doméstica em T1 e a mortalidade perinatal em T2, deixou de ser estatisticamente significativa.