ICRE’ 2024
Sumário
Apesar do crescimento tremendo dos programas sociais destinados a melhorar os resultados educativos dos jovens desfavorecidos, relacionados com políticas da UE e a nível nacional que apoiam e promovem tais programas através de financiamento direto (e.g., fundos CEE, Portugal 2020, Portugal Inovação Social), poucos destes programas foram (ou são) rigorosamente avaliados. Um objetivo comum entre estes esforços é o princípio de justiça social, segundo o qual, as crianças que crescem em desvantagem devem ter mais oportunidades para alcançar resultados equitativos. Um destes programas é o programa Teach For Portugal (TFP), que tem recebido muita atenção mediática . A Teach For Portugal é uma organização que visa promover a inclusão de estudantes de contextos desfavorecidas, procurando reduzir as disparidades socioeconómicas no desempenho escolar.
A TFP desenvolve um programa de desenvolvimento de liderança que recruta jovens licenciados de diversas áreas (mentores) para co-ensinar e orientar em escolas desfavorecidas, com o objetivo de melhorar as notas dos alunos, bem como as suas competências socioemocionais, de liderança e de consciência cultural. O programa foi lançado em 2019/20 com 17 mentores em 10 escolas.
Este estudo comparou estudantes que tiveram um mentor da TFP (T – grupo “tratado”) com estudantes que não tiveram (C – grupo “comparativo”) usando dados do 1º ano do programa (ano letivo 2019-20). Usando um plano de estudo de pré-teste e pós-teste (N = 159; T = 126, C = 33), testou os efeitos médios do tratamento (EMT) da TFP nas medidas de ajustamento psicossocial (ou seja, aceitação pelos pares e autorregulação) e perceções de competência académica (ELP) de alunos do quinto e sexto ano. Curiosamente, o confinamento devido à pandemia ocorreu logo 6 meses após o início da intervenção. Ambas as subamostras são equivalentes em variáveis-chave (e.g., sexo, educação da mãe, mau comportamento) e nos outcomes no pré-teste.

Usando uma abordagem de diferença-em-diferenças com efeitos fixos entre escolas (Murnane & Willett, 2010), assim descontando o possível viés de uma tendência temporal comum (e.g., impacto do COVID-19/confinamento, maturação) e efeitos do agrupamento escolar no EMT, conclui-se um efeito nulo quanto ao ajustamento psicossocial dos alunos (b = 0.30; p = 0.324), mas um efeito positivo nas perceções de competência académica (b= 1.48; p < .001).
Análises posteriores de itens específicos como parte dos testes de robustez, que incluíram ponderação por probabilidade inversa, scores de propensão e bootstrapping, identificaram algumas diferenças locais no ATE, o que justificou uma investigação mais aprofundada. O efeito mais consistente da TFP foi observado no item relativo à crença/esperança dos alunos no seu sucesso académico. Apesar deste estudo fornecer a primeira avaliação científica da TFP, várias limitações importantes do estudo precisam de ser consideradas (e.g., tamanho da amostra do grupo de comparação).